Penso nela muitas vezes. Nela, não nele.
Ele não me diz nada sentimentalmente. Ela diz.
Ela era uma das melhores amigas. Ela era a amante.
A namorada era outra das minhas melhores amigas, ao mesmo nível.
E até eu estive envolvida ao barulho quando não conhecia nem uma, nem outra, mas em que sabia das suas existências.
Foram tempos e situações complicadas que o tempo faz esquecer mas que não se dissipam.
Num ajuste de contas houve a necessidade de escolher. "De quem vais ser amiga?" Não dá para ser das duas. Não, não dava. Era trágico demais.
A namorada.
A amante.
A amiga de ambas. A grande amiga de ambas.
A que ia jantar com elas (separadamente), a que ia beber chá com elas (separadamente), a que trabalhava com elas, a que viajava com elas, a que trocava roupa com elas, mensagens nocturnas, saídas e confissões. Cada uma delas via-me como "a amiga" que era.
E eu via cada uma delas igualmente como "a amiga".
E a escolha foi "a namorada". Talvez pelo peso de consciência, e sem dúvida pelo carinho que sinto por ela. Uma amiga, uma colega, uma irmã, que viu 8 anos de um relacionamento deitados para o lixo.
Não atirai pedras, ninguém é santo neste mundo. Mas acho que ela era. Felizmente agora é feliz. Felizmente o ditado do "há males que chegam por bem" enquadra-se em todo o seu expoente. E agora é uma esposa.
Contudo, e a estes anos de distância, não deixo de pensar na outra. Na amante. Na agora também esposa. Não consigo não ir espreitar os albúns no facebook, da qual não sou amiga (claro), de ver a pequena que nasceu desta confusão e, ainda assim, sorrir e pensar que tenho saudades do pão com manteiga e do chá depois do trabalho. E fico feliz que ela (eles), estejam bem e felizes. E não deixo de sentir saudades daquela gargalhada tão típica e única.
Toda a gente tem um pouco de santa e de puta nesta vida. E se não têm, deveriam ter...
Em doses distribuídas.
Não implica que não sejam boas amigas.


