6 de março de 2012

apertos da Zara, Inditex e semelhantes.

Pouco tempo depois de entrar para a Universidade, tive (quis) procurar um emprego para me sustentar e pagar as despesas que um curso de arquitectura proporciona. E assim foi. Fui uma das selecionadas para a equipa de abertura de um shooping. E por lá fiquei até ao fim do curso, passando por todos os horários, part-time noite, fim-de-semana, full-time e até substituta de encarregados quando algum deles tinha férias. 

Passado alguns tempos fui vitrinista (devidamente formada pela empresa). Com o passar do tempo e com o acabar do curso, vejo que trabalhar neste mundo das lojas não é tão mau como pode parecer à primeira vista por quem nos toma como empregadas de vender roupa e logicamente "burras". Pois bem, muitas dessas pessoas que tanto criticavam o trabalhar em lojas, eram professores, engenheiros, arquitectas, advogadas que não conseguiam sequer arranjar emprego mas que não se iam sujeitar a estar atrás de um balcão porque era pouco. Podiam não estar a receber nada e não ter emprego, mas lojas não. Quando a mais pura realidade é que um full-time de Zara ganha á volta de 700 euros, num horário certo, com férias, com segurança social e descontos. Ganham mais que eu e que muita boa gente num emprego "de nível".
A verdade é que sempre quis subir dentro do grupo Inditex e nunca mo foi proporcionado. Quando acabei o curso continuei na Zara uns dois anos, corri inclusive 3 lojas diferentes sempre com a aspiração a subir, a ser nomeada encarregada, 3ª, 2ª , 1ª. E nada. Continuava com as responsabilidades de formação de empregados, de coordenação, de camião,  mas a oportunidade real nunca chegou. Sempre enviei currículos para os escritórios, sempre respondi aos anúncios e cheguei mesmo a concorrer para uma vaga de arquitectura dentro do grupo.
A última das vezes que trabalhei no grupo era com a aspiração de preencher um dos dois/três lugares em vias de aparecerem e os quais me indicaram ser brechas no grupo e aí fui eu mudar de cidade outra vez. E depois esses lugares foram preenchidos. Fiquei tão lixada com isto que deixei o emprego. Não apareci mais. "Queimei-me" como se diz no meio. A verdade é que é triste:
- É triste estar-se no grupo há 7 ou 8 anos e ver constantemente pessoas novas a entrar de fresco para o cargo de encarregados (e muitas vezes a chumbarem).
- É triste ver que não apostam no produto interno.
- É triste saber que têm alguns encarregados que são burros que nem calhaus para não falar dos erros e tarefas encobertos por simples funcionários.
- É triste saber que certos encarregados aconselham aos escritórios certos funcionários para encarregados noutras lojas "para se verem livres deles" e ficam com pessoas que tinham todas as capacidades para gerir uma loja pois fazem bem o trabalho não lhes dando a oportunidade de crescer.
- É triste saber que muitos desses encarregados não sabem um mínimo de cultura geral. Seria giro fazer-lhes um teste de nível 10º ano.
- Assim como seria interessante algum cliente  mistério dos escritórios engendrar-se na loja e apanhar casos flagrantes de encarregados que passam horas ao telefone da loja para não falar em horas a mandar mensagens e ao telemóvel no horário de trabalho.


Gostava muito de ter tido a oportunidade de ter crescido na inditex. Acho que tinha tudo para dar certo. Personalidade, vontade, saber-estar, saber falar com as pessoas, saber motivar, saber gerir, ter classe, postura, experiência. Mas não. E tenho pena, muita pena. Pois ainda hoje seria uma vontade. Mesmo estando empregada num gabinete, possivelmente sairia daqui sem pensar duas vezes e praticava a arquitectura em casa, nas folgas. E era mais que suficiente.
Pode ser que em Londres consiga alguma coisa. 

7 comentários:

  1. Se é o que queres mesmo, nunca desistas. Não tens nada a perder, só tens a ganhar, por isso, tenta sempre ;)

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  2. É frustrante não ver o nosso trabalho reconhecido.
    Sorte para Londres ;)

    **

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  3. Deve ser realmente triste não ver o teu esforço a ser recompensado! Mas tenta a tua sorte num novo lugar, se querer assim muito, hás-de conseguir! Há que lutar :)

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  4. Existe sempre vários problemas em empresas ditas maiores: falta de um interlocutor acima de ti que te aprecie e recomende e principalmente o seguinte:
    Se fizeres bem o teu trabalho, preferem manter-te do que arriscar perder duas posições. É a tristeza de chefias que temos...

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  5. E agora fiquei a torcer ainda mais por ti ;)

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  6. Quando andava a estudar trabalhei na Cortefiel em part-time e triste é saber que apesar de haver funcionárias com muitos anos de casa e mais capacidades, haver uma senhorita que apesar de não estar lá há muito tempo e estar também a part-time passar a encarregada de senhora porque andava a fazer uns brochezitos ou quiça mais a um director espanhol. E era casada. E ainda vim a saber que mais tarde passou a gerente de outra loja . É triste que ainda existam mulheres destas....Por isso às vezes o mérito não é reconhecido por outras coisas.

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